Existem algumas perguntas que muitos pacientes oncológicos pensam mas raramente fazem em voz alta: será que faz diferença quem me opera?A escolha de um cirurgião oncológico experiente influencia nos resultados do meu tratamento?
A resposta é sim. E ela está documentada na literatura científica com uma consistência que poucos outros fatores do tratamento oncológico apresentam.
Isso não significa que existem cirurgiões bons e cirurgiões ruins em uma divisão simples. Significa que, em cirurgia oncológica, a formação específica, o volume de procedimentos realizados, o treinamento contínuo e a experiência acumulada com tumores complexos se traduzem em resultados concretos: menor taxa de complicações, maior probabilidade de ressecção completa com margens livres, melhor preservação de funções e, em muitos tipos de tumor, maior sobrevida a longo prazo.
Entender por que isso acontece é o que este artigo se propõe a explicar.
O que diferencia o cirurgião oncológico do cirurgião geral
A cirurgia oncológica é uma especialidade que exige formação adicional específica após a residência em cirurgia geral. Essa formação não é apenas um aprofundamento técnico. É uma mudança de perspectiva sobre o que a cirurgia precisa alcançar.
O cirurgião geral opera para resolver um problema anatômico ou funcional imediato. O cirurgião oncológico opera dentro de uma estratégia de tratamento que considera o comportamento biológico do tumor, o estadiamento da doença, a necessidade de margens cirúrgicas adequadas, a extensão correta da linfadenectomia, a integração com tratamentos sistêmicos antes e depois da cirurgia e o impacto do procedimento sobre a qualidade de vida a longo prazo.
Essas duas perspectivas produzem decisões diferentes, antes, durante e depois da cirurgia. E essas diferenças têm consequências reais sobre os resultados do tratamento.
O que a evidência científica diz sobre volume cirúrgico e resultados
Uma das linhas de pesquisa mais consistentes da oncologia cirúrgica nos últimos 30 anos investigou a relação entre o volume de procedimentos realizados por um cirurgião ou por um hospital e os resultados obtidos. Os achados são claros e se repetem em estudos conduzidos em diferentes países e com diferentes tipos de tumor.
Cirurgiões com maior volume de procedimentos em um tipo específico de tumor apresentam, de forma consistente, menores taxas de mortalidade pós-operatória, menores taxas de complicações graves, maior proporção de ressecções R0 com margens livres, menor tempo de internação e melhores taxas de sobrevida a longo prazo em comparação com cirurgiões com baixo volume no mesmo tipo de procedimento.
Esses resultados foram documentados em tumores do esôfago, do pâncreas, do estômago, do reto e do fígado, entre outros. No câncer de pâncreas, por exemplo, estudos publicados no Annals of Surgery demonstraram que a mortalidade pós-operatória da duodenopancreatectomia, a cirurgia de Whipple, cai de forma expressiva em centros de alto volume em comparação com centros de baixo volume para esse procedimento. A diferença não é marginal. Em alguns estudos, a mortalidade pós-operatória em centros de baixo volume foi mais de quatro vezes maior do que em centros de alto volume.
Isso não acontece por acaso. Existe uma explicação técnica e clínica para esse fenômeno.
Por que o volume de cirurgias de um cirurgião oncológico experiente se traduz em melhores resultados?
Reconhecimento intraoperatório de variações anatômicas Nenhuma cirurgia é idêntica à anterior. Cada paciente tem variações na anatomia dos vasos, dos nervos e dos órgãos que o cirurgião encontra no campo operatório. Um cirurgião com grande experiência em um tipo específico de procedimento desenvolveu, ao longo de centenas de cirurgias, a capacidade de reconhecer e manejar essas variações com segurança. Essa habilidade não está em nenhum livro e não se aprende em treinamento simulado. Ela se constrói com tempo e com volume.
Tomada de decisão intraoperatória Durante uma cirurgia oncológica complexa, o cirurgião se depara com situações que não estavam previstas no planejamento pré-operatório: um plano cirúrgico diferente do esperado pelos exames de imagem, um vaso em posição inesperada, uma aderência que altera a estratégia de dissecção. A capacidade de tomar decisões corretas nessas situações, sob pressão, com o paciente anestesiado e o tempo contando, é uma habilidade que só se desenvolve com experiência real acumulada.
Precisão na linfadenectomia A remoção adequada dos linfonodos regionais é parte obrigatória de qualquer cirurgia oncológica com intenção curativa. O número de linfonodos retirados e analisados pelo patologista é um marcador de qualidade cirúrgica com impacto direto no estadiamento e no prognóstico. Estudos em câncer gástrico e colorretal mostram que cirurgiões com maior experiência no procedimento obtêm consistentemente maior número de linfonodos na peça cirúrgica, o que melhora a precisão do estadiamento e pode influenciar a decisão sobre tratamento complementar.
Manejo de complicações Complicações pós-operatórias acontecem mesmo nas mãos dos melhores cirurgiões. O que diferencia os resultados não é apenas a taxa de complicações, mas a capacidade de identificá-las precocemente e de manejá-las de forma eficaz quando surgem. Um cirurgião experiente reconhece os sinais precoces de uma fístula anastomótica, de um sangramento ou de uma infecção abdominal e age antes que a situação se agrave. Esse reconhecimento precoce é o que separa uma complicação tratável de uma emergência de alto risco.
Formação acadêmica e atualização científica contínua
Experiência clínica sem atualização científica envelhece. A oncologia cirúrgica é uma especialidade em evolução constante, com novos estudos clínicos publicados regularmente que modificam as indicações, as técnicas e os protocolos de tratamento.
Um cirurgião oncológico que acompanha a literatura científica atual, que participa de congressos e que mantém vínculo com centros de referência e com o ambiente acadêmico incorpora ao seu cotidiano clínico os avanços mais recentes da especialidade. Isso significa, na prática, que os pacientes atendidos por esse profissional se beneficiam do conhecimento científico mais atualizado disponível, não apenas do que era considerado padrão há uma ou duas décadas.
A atividade acadêmica, a docência e a publicação científica não são apenas credenciais. São indicadores de que um cirurgião está em diálogo permanente com o conhecimento produzido na sua especialidade. Um professor universitário de cirurgia que orienta residentes e que pesquisa ativamente está, por definição, constantemente revisando e atualizando os fundamentos da sua prática.
A diferença entre operar um tumor e tratar um paciente com câncer
Existe uma distinção importante que separa a cirurgia oncológica de alta qualidade de uma cirurgia apenas tecnicamente competente: a capacidade de ver o paciente além do tumor.
Decidir a extensão correta de uma ressecção envolve não apenas o princípio de margens livres, mas a avaliação do que aquela cirurgia vai representar para a qualidade de vida daquele paciente específico. Preservar um esfíncter, manter a continuidade do trato digestivo quando oncologicamente seguro, planejar uma reconstrução que minimize as alterações funcionais no pós-operatório são decisões que exigem conhecimento técnico, sim, mas também uma visão integral do ser humano que está sendo operado.
Essa integração entre excelência técnica e cuidado individualizado não se aprende em um procedimento. Ela se constrói ao longo de uma trajetória que combina volume cirúrgico, formação acadêmica sólida, atualização científica permanente e, fundamentalmente, a disposição de tratar cada paciente como único.
O que considerar ao escolher um cirurgião oncológico experiente e seus resultados?
Nenhum paciente deveria escolher um cirurgião oncológico apenas por indicação, por conveniência de localização ou por disponibilidade de agenda. Algumas perguntas objetivas podem ajudar nessa decisão:
O cirurgião tem residência ou formação específica em cirurgia oncológica, não apenas em cirurgia geral? Tem mestrado, doutorado ou produção científica na área de oncologia? É membro titular de sociedades médicas especializadas em cirurgia oncológica? Opera regularmente o tipo de tumor que você tem? Tem formação em cirurgia minimamente invasiva para os casos em que essa abordagem é indicada? Tem vínculo com centros de referência em oncologia?
Essas perguntas não garantem o resultado de uma cirurgia. Nada garante. Mas elas aumentam a probabilidade de que você seja operado por alguém que conhece profundamente a doença que você enfrenta e que tem as ferramentas técnicas e científicas para tomar as melhores decisões no seu caso.
E se você tem dúvidas sobre um plano de tratamento já proposto, buscar uma segunda opinião com um cirurgião oncológico especializado não é deslealdade ao médico que acompanha o seu caso. É um direito seu, reconhecido pelas principais sociedades oncológicas, e uma prática que pode fazer diferença real nas decisões que definem o seu tratamento.
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Se você tem um diagnóstico de tumor digestivo e quer uma avaliação com um cirurgião oncológico com formação acadêmica sólida, experiência em tumores complexos e compromisso com o cuidado individualizado, agende uma consulta com o Dr. Eurico Campos em Curitiba.
O Dr. Eurico Cleto Ribeiro de Campos é cirurgião oncológico em Curitiba com mais de duas décadas de atuação dedicada ao tratamento cirúrgico do câncer. Formado pela Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná, com residência em Cirurgia Oncológica no A.C.Camargo Cancer Center, mestrado e doutorado em Oncologia e pós-doutorado em Farmacologia, ele reúne em um mesmo consultório a qualificação técnica e acadêmica que a evidência científica aponta como determinante para melhores resultados em cirurgia oncológica.
Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva (SOBRACIL) e do Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM), atua no tratamento de tumores do aparelho digestivo, sarcomas, tumores ginecológicos e câncer de pele, com formação específica em cirurgia minimamente invasiva e robótica. Para pacientes que buscam uma segunda opinião em cirurgia oncológica ou que desejam uma avaliação com um cirurgião oncológico qualificado em Curitiba, o consultório está localizado na Rua Padre Anchieta, 2050, conjunto 2004, no bairro Bigorrilho.

Referências: Birkmeyer JD et al. Surgeon volume and operative mortality in the United States. New England Journal of Medicine, 2003. Begg CB et al. Impact of hospital volume on operative mortality for major cancer surgery. JAMA, 1998. Schrag D et al. Association between hospital procedure volume and outcomes for esophageal resection. Annals of Surgery, 2000. Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO). Critérios de qualificação em cirurgia oncológica. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Diretrizes para atenção oncológica no Brasil. Disponível em: www.inca.gov.br
Dr. Eurico Cleto Ribeiro de Campos, CRM-PR 24347. Cirurgião oncológico com atuação em tumores do aparelho digestivo, sarcomas de partes moles, tumores ginecológicos e câncer de pele. Doutor em Oncologia pela Universidade de São Paulo. Professor Associado de Cirurgia Geral da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO).
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